O trabalho no corpo desperta sensações e, por vezes, as imprime, ampliando-se a possibilidade de percepção dos registros sensoriais. Estas sensações, que por vezes surgem também em formas de imagens, estão relacionadas com uma forma primitiva de pensamento, mais próximo dos processos inconscientes do que do pensar em palavras; porém, a ligação destas imagens com resíduos verbais criam condições de um pensamento consciente articulado com o corpo e o sensorial recuperando a unidade psicossomática.

Neste cenário o terapeuta morfoanalista trabalha com o que chamamos de neutralidade ativa, visto que cuida ativamente do corpo através de toques, massagens e posturas de alongamento, assim como contêm em seu corpoas projeções do paciente. Através de suas ações e interpretações verbais e/ ou corporais pode inclusive imprimir novas experiências no sujeito.

Estas novas experiências, um terceiro elemento da dupla, é o fruto de uma relação – há a possibilidade de nascer o novo e viver novos significados, que dão marcha à evolução psíquica outrora paralisada.
Sem dúvida, a relação afetiva e efetiva entre mãe/bebê é o método criado pela natureza para beneficiar o desenvolvimento psicossomático.

Quando esta relação primitiva é “encenada” no setting terapêutico, temos a oportunidade de agir por via afetiva/efetiva sobre as falhas estruturais, retomando o desenvolvimento do ego dentro de um método igualmente natural.

Segundo Anzieu:
“Ser um EU é sentir a capacidade de emitir sinais ouvidos pelos outros.
Ser um EU é sentir-se único.
Ter um EU é poder se voltar sobre si mesmo.”

Portanto, ser um EU e ter um EU é desenvolver um espaço habitável no próprio corpo, dentro de uma relação humana.

Vera Lúcia Cardozo Silva Henriques – Terapeuta Morfoanalista
Trecho do artigo “Corpo: continente ou exílio“, apresentado na III Jornada de Terapia Morfoanalítica.

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