No dia Internacional da Mulher compartilhamos com vocês o olhar do Terapeuta Morfoanalista.

Mas antes, gostaríamos de propor uma breve reflexão. Há poucos anos este dia era recordado principalmente pela delicadeza da mulher e associado à ideia mercantilista de se dar um pequeno presente.

Atualmente há um tom de manifesto #timesup contra assédios – tanto moral quanto sexual –, contra as diferenças salariais, a favor do direito de decidir fazer o que achar melhor por si e seu corpo.
Fatos históricos apontam que a luta das mulheres em ter condições justas de trabalho começou com uma greve em Nova York, entre setembro de 1909 até fevereiro de 1910, iniciado pelas trabalhadoras da companhia Triangle Shirtwaist. Em 25 de março de 1911 um incêndio de grandes proporções nessa fábrica têxtil resultou na morte de 129 mulheres que trabalhavam em condições intoleráveis. Essa tragédia sempre é lembrada no presente e nos remete ao passado, como um momento de reflexão e de tomada de consciência.

Desde então mulheres operárias de vários países – particularmente da Europa – iniciaram mobilizações reivindicando por direitos trabalhistas. Somente em 8 de março de 1917, com a deflagração da greve das tecelãs de São Petersburgo, que impulsionou a Revolução Russa, esta data foi consagrada como o Dia Internacional das Mulheres.

Podemos nos perguntar, como chegamos a este ponto? As atrocidades contra as mulheres vêm desde antes. Na Roma Antiga (400-300 a.C.), por exemplo, o corpo feminino era um mistério, menstruar, gerar uma vida e também não gerar eram fatos que ficavam atrelados a todas as tragédias que ocorriam na sociedade. Esse sentimento de culpa as oprimiu e silenciou.

Podemos pensar que a consciência do que é ser mulher vai além do político e chega à escuta do feminino dentro do corpo de cada mulher.

O trabalho da Terapia Morfoanalítica é um trabalho psicocorporal que convida o paciente a retomar a presença no próprio corpo, nos tecidos, nos músculos e nos ossos. Essa qualidade de presença e consciência no próprio corpo é o fio condutor que transporta o paciente a uma viagem no tempo passado revisitando suas próprias memórias. Ressignificando e compreendendo traumas, por vezes transgeracionais, que foram vividos mas ficaram “esquecidos”, mas que no entanto ainda são atuantes na vida do aqui e agora, no presente.

Mulheres com histórias de abusos, violências e submissão, corpos sofridos, corpos aprisionados, corpos sem vida, vítimas da cultura onde seu corpo não lhes pertence. Em nossa clínica, acolhemos e tratamos esses sofrimentos possibilitando a essas mulheres se apropriarem de seu corpo e reencontrar um novo sentido em suas vidas de forma presente e consciente.

 

Imagem por Aline Miguel (ollowthecolours.com.br/art-attack/artista-carioca-aline-miguel/)
Textos utilizados:  blogdaboitempo.com.br/…/as-que-vieram-antes-de-nos…/
revistavertigem.com/artigo/mulheres-da-camomila-a-libertacao-da-culpa/